Vitória, 04 de Setembro de 2010

Privação auditiva temporária na infância pode levar à deficiência persistente

Publicação: 30/06/2010


Estudo mostrou que desenvolvimento do córtex auditivo fica vulnerável se não receber estímulos adequados no momento certo

Pesquisadores da Enfermaria de Ouvidos e Olhos de Massachusetts revelaram porque um curto período de privação auditiva durante a infância pode levar à deficiência auditiva persistente
A inclusão de crianças surdas no evento Contação de Histórias do Centro Cultural São Paulo
Pesquisadores da Enfermaria de Ouvidos e Olhos de Massachusetts revelaram o motivo pelo qual um curto período de privação auditiva durante a infância pode levar à deficiência auditiva persistente, mesmo depois que a audição volta ao normal. A pesquisa revela que o desenvolvimento do córtex auditivo fica vulnerável se não receber estímulo adequado, no momento certo.
É bem conhecido que a experiência sensorial degradada durante períodos críticos de desenvolvimento da infância pode ter efeitos prejudiciais sobre o cérebro e o comportamento. No exemplo clássico, uma condição chamada ambliopia (também conhecida como olho preguiçoso) pode surgir quando sinais visuais não são transmitidos de cada olho para o cérebro, durante um período crítico para o desenvolvimento do córtex visual.
"Um problema semelhante pode existir no campo da audiência. Algumas crianças costumam apresentar um acúmulo de fluido viscoso na cavidade do ouvido médio, que pode degradar a qualidade dos sinais acústicos que chegam ao cérebro, e isso tem sido associado a uma perda duradoura da acuidade perceptiva auditiva", explica o autor sênior do estudo, Daniel Polley.
Polley e sua colega Maria Popescu, da Universidade Vanderbilt, implantaram um método para bloquear, reversivelmente, a audição em ouvidos de ratos durante a infância, a adolescência e a idade adulta. Eles então perceberam como as partes do cérebro envolvidas na audição foram afetadas pela perda auditiva temporária.
Observaram, também, que a perda auditiva temporária em uma orelha distorceu padrões auditivos no cérebro, enfraqueceu a representação da orelha privada e reforçou a representação da orelha aberta. A extensão da reorganização foi mais evidente no córtex e mais pronunciada quando a privação auditiva começou na infância e não, anos mais tarde na vida.

"A boa notícia sobre essa condição é que é pouco provável que seja um problema permanente para a maioria das pessoas. Mesmo se o sinal acústico não for corrigido dentro do período crítico, o córtex auditivo maduro ainda manifesta um notável grau de plasticidade. Sabemos que a formação visual corretamente projetada, pode melhorar a acuidade visual em pacientes com ambliopia adulta. Estamos preparando agora um estudo para saber se o treinamento de percepção auditiva pode, também ,ser uma abordagem promissora para acelerar a recuperação em indivíduos com déficits no processamento auditivo não resolvido, decorrentes da perda auditiva na infância", concluiu Polley.

Fonte: Isaude.net

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